O Evangelho une ou separa?

Diferentes, só por fora.

“Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus.” (Mateus 5:44)

Recentemente vinha com minha esposa de moto de Jundiaí para São Paulo. Estávamos voltando de um culto na Igreja Batista Nova Canaã. Já era noite e tínhamos fome. Paramos no Rancho da Pamonha para comer alguma coisa. Logo começamos conversa com um jovem casal muito simpático. De cara deduzi que eram servos do Senhor e começamos ali uma amizade. Como soube que eram cristãos? Pelas roupas? Não! Pelos trejeitos? Não! Pela simpatia? Não, pois existem até ateus simpáticos! Apenas pelo fato de sermos servos do mesmo Senhor! Há uma unidade. Há uma correspondência. Há uma identificação!

O Evangelho une!

O apóstolo Paulo com, referência a povos e culturas divergentes, escreveu aos efésios: “… porque Ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. E, vindo, Ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto; porque por Ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito.” (Efésios 2: 14-18). Em Cristo Jesus todos são unidos. Um mesmo “perfume”, uma mesma intenção, um mesmo caminho, um mesmo destino!

O Evangelho também separa!

Realmente o evangelho une aqueles que querem viver em paz com Deus e com suas consciências. Mas há outro aspecto do evangelho que geralmente é pouco lembrado. Trata-se do aspecto separador do evangelho de Jesus. O próprio Jesus afirmou: Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra;E assim os inimigos do homem serão os seus familiares.”(Mateus 1:34-36).

Este aspecto separador é muito real. Não se trata absolutamente de uma questão sócio-cultural. Não tem nada a ver com entendimento político ou partidarismos. Isso também não acontece devido à diferenças religiosas. Trata-se do confronto de duas forças cósmicas opostas. O mundo espiritual é tão real ou até mais real do que o mundo físico. Lembro-me do tempo da minha conversão: Minha mãe começou a implicar com tudo a meu respeito. Uma mãe que sempre foi amorosa passou a me tratar com odioso ressentimento. Também perdi meu “melhor amigo”, que se afastou deliberadamente. Isso para citar apenas dois exemplos, pois sofri outros distanciamentos. É algo difícil de entender. Impossível se não for pelo ponto de vista espiritual da Palavra de Deus.

Esta é uma situação que pode confundir o novo convertido. Quando o homem nasce de novo, quando ele nasce para Deus, passa a amar muito mais aqueles que estão ao seu derredor, no entanto estas pessoas, muitas vezes,  ao invés de retribuir o amor recebido tormam-se agressivas gratuitamente. Cria-se então uma atmosfera de sofrimento que só pode ser mudada com muita oração. Geralmente, ou os familiares inconversos se convertem, o que pode levar até muitos anos,  ou uma das partes se afasta e muitas vezes se isola completamente.

Esta é uma batalha de paciência que deve ser conduzida com perseverança. Os efeitos de uma vida sair do reino das trevas e entrar no reino da luz podem ser ilustrados com a ação de cutucar um vespeiro com uma vara. Há uma reação imediata no reino das trevas, pois sofreu um prejuízo. Se os familiares ou amigos do cristão forem mais sensíveis à voz de Deus, tudo se resolve rapidamente com um pouco de oração e amor, mas por vezes algumas pessoas podem ter uma carga espiritual maligna muito resistente. É aí que os problemas se complicam e nesses casos toda oração e todo cuidado será necessário. Meu pai se converteu após 20 anos de oração dos filhos, mas quando isso aconteceu ele se transformou em outro homem. Aquele homem enérgico e impaciente agora, ao ligarmos para ele, sempre nos dizia: “Estou orando por você!”

Portanto não devemos nunca esquecer que “…  não temos que lutar contra a carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.”. (Efésios 06:12)..

Mesmo sabendo que nem todos serão salvos, é nossa obrigação fazer todo o possível e não desistir daqueles que amamos, pois a verdade é que Deus ama a todos e não quer que ninguém se perca.

A oração e o amor devem caminhar juntos: “Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus.” (Mateus 5:44). Embora estas pessoas se mostrem irritantes, petulantes, arrogantes e tantos outros adjetivos difíceis de aturar devemos vê-las como Deus as vê: Pessoas de grande potencial, maravilhosas, valorosas e amadas que, embora estejam desprovidas de entendimento espiritual, custaram a vida de Seu Filho Jesus. Devemos orar por estas pessoas e abencoá-las a cada dia.

Ninguém é digno de nada da parte de Deus. Somos todos pecadores. Todos merecemos a morte. Todavia temos sido alcançados pela misericórdia e pela graça de Deus: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Efésios 2:8)

Assim como Deus nos alcançou com seu favor imerecido, também pode alcançar aqueles a quem amamos.

Daril Simões

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