Complexo de superioridade

“Todo o vale será exaltado, e todo o monte e todo o outeiro será abatido; e o que é torcido se endireitará, e o que é áspero se aplainará.” (Isaías 40:4)

Na vida secular meu trabalho é administrativo e operacional.  Sou um funcionário comum. Todavia, na hora do almoço, eventualmente meu gerente vem à minha sala. Um homem com ótima formação acadêmica e importantes atribuições na empresa. Gerencia um dos setores mais importantes da empresa. Este homem passa em minha sala e conversamos amenidades do dia a dia, como saúde, família, etc. É muito bom verificar que nem todos são corrompidos pelo poder e pela ascensão profissional. Isso não é nada comum no mundo em que vivemos.

Bem resumidamente, o termo “Complexo de Superioridade” foi criado pelo psicólogo Alfred Adler e se refere à condição emocional ou mesmo patológica daqueles que projetam nas outras pessoas seus próprios sintomas de inferioridade. O portador do complexo de superioridade superestima suas capacidades e seu poder de realização. Ele, via de regra, trata seus semelhantes, principalmente subordinados, de forma prepotente e arrogante.

Vejamos isso de forma mais clara: Trata-se daquela pessoa que ao assumir um cargo de chefia ou de destaque passa a olhar para os demais com arrogância. É aquele profissional liberal que após se formar e conseguir uma boa colocação profissional, um médico ou advogado, por exemplo, despreza aqueles que não chegaram a tanto.  Trata-se daquele indivíduo que teve grande ascensão financeira e se esqueceu dos antigos amigos, deixando-os de lado, ignorando-os. Pode ser ainda aquela pessoa que, embora não tenha uma posição de destaque na sociedade, considera-se o mais capacitado, o mais brilhante, aquele que está muito acima da média. Também este último trata as pessoas como se fossem muito inferiores a sí próprio.

Isso é muito comum na sociedade em que vivemos. Sociedade onde o mais rico sofre menos e o mais insensível lucra mais. Não podemos mudar o mundo lá fora. As minhas questões, no entanto, são relacionadas aos cristãos. Pergunto:

1)   Isso existe no meio cristão?

2)   Isso deveria existir no meio cristão?

A resposta à primeira pergunta é óbvia: Sim, isso existe no meio cristão! Uma das comparações que Jesus fez do Reino de Deus foi uma grande árvore, debaixo da sombra da qual as aves do céu se abrigam: “Mas, tendo sido semeado, cresce; e faz-se a maior de todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de tal maneira que as aves do céu podem aninhar-se debaixo da sua sombra.” (Marcos 4:30). Jesus não especifica quais aves seriam essas. Pássaros, os mais diversos? Quem sabe até aves de rapina!

Sem querer julgar ninguém, pois não temos a mínima condição para isso, entendemos que não é por estar abrigados sob a sombra do Reino de Deus que são todos cristãos genuínos.

A resposta à segunda pergunta é mais complicada e, acredito, deve ser respondida particularmente por cada um. É claro, comparando com as escrituras o seu próprio proceder no dia a dia.

Jesus apontou para o sistema de dominação comum  nas nações do mundo e exortou seus discípulos, dizendo: “Não será assim entre vós,  mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal, e, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo; Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.” (Mateus 20:26–28).

O que vemos nas fileiras cristãs, infelizmente, é bem diferente disso. Vemos irmãos que por terem conseguido um título de doutor, fazem questão de serem chamados de doutores e não de irmãos. Vemos pastores, bispos e apóstolos com olhar altivo. Andam totalmente separados da “massa popular cristã” que, diga-se de passagem, é de onde sai seu sustento financeiro. Dizem ter recebido uma unção especial. Estão em um patamar mais elevado, não accessível à maioria. Não quero por em dúvida esta questão, apenas lembro que os que mais receberam de Deus, mais devedores são à Deus e mais prestarão contas à Ele. A meu ver deveriam ser os mais humildes, os mais accessíveis ao necessitado.

O evangelho tem um poder de transformação incrível! Não há nada na terra mais poderoso para transformar o caráter do que o evangelho de Jesus. Em Isaías lemos que “Todo o vale será exaltado, e todo o monte e todo o outeiro será abatido; e o que é torcido se endireitará, e o que é áspero se aplainará.” (Isaías 40:4). Nesta passagem maravilhosa entendemos o que a graça de Deus faria nos corações por ela alcançados. O abatido seria exaltado, o grande seria abatido, o deturpado, o torto, o deformado, seria curado. Isso é transformação de caráter.

A Transformação que Jesus faz se evidencia no obedecer Sua Palavra. Se evidencia no  amar ao próximo como a si mesmo. Se o evangelho tem este poder e se vemos hoje situações diferentes dessa, isso deveria nos causar preocupação. Será que estamos brincando de evangelho? Será que o nosso evangelho tornou-se um evangelho “sintético”, falso?

Melhor refletir seriamente em nossas posturas como líderes na Igreja do Senhor, como cristãos, como profissionais e como pessoas.

Porventura somos maiores do que Jesus, o Filho de Deus, que veio não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida por muitos?

Daril Simões

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