Auxílio do alto

 

“Levantarei os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro.” (Sl. 121:1)
Há momentos em nossa existência em que não conseguimos mais enxergar o caminho à frente. São tempos de dor e angústia nos quais falta-nos força para prosseguir. É como se estivéssemos condenados à morte. Nosso mundo parece ter acabado. Parece que o pior aconteceu. Sofremos um golpe tão duro que não temos ânimo para continuar. Todos os sonhos se apagaram. Os projetos ruíram e o que tinha valor parece não nos interessar mais. Só nos restam o lamento e o choro. Um choro amargo e secreto. Um coração em silencioso desespero. Não há espaço para andarmos. O ar parece rarefeito, é difícil até respirar. Estamos atravessando um vale profundo. Aos lados montanhas altas e à frente um caminho ermo e tenebroso.
Lá do fundo de nosso ser, vem da alma um pedido de socorro. Um clamor por ser amada, por ser compreendida se exprime em um gemido inaudível. Como estávamos tão enganados achando que podíamos tanto e que éramos tão fortes. Agora surge uma indelével lembrança de que somos frágeis e de que precisamos de cuidados como uma criança precisa de sua mãe. Mas parece que todos se foram. Amigos, família, parentes, parecem estar tão longe. Talvez fisicamente perto, mas incapacitados a entender e ajudar.
Torna-se poderoso agravante do nosso problema o fato de sequer consideramos a possibilidade de solução. Se ao menos pudéssemos refletir sobre a possibilidade de que alguém possa nos ajudar surgiria, então,  uma “luz no fim do túnel”, uma esperança de solucionar o insolúvel.
Mas a quem pedir ajuda? Certamente não entenderiam nossa dor. Somente alguém que já passou pelo mesmo caminho, pela mesma dor, e conseguiu superar poderia nos entender e, quem sabe, nos ajudar. Mas onde encontrá-lo? Como expor-lhe nossa dor? Como explicar-lhe nossa situação? Como falar de algo que nos esmaga por dentro e nos tira todo o alento? Parece irracional, mas é verdadeira a dor que sentimos. Dor na alma. Invisível aos olhos humanos. Invisível à ciência e à medicina, mas implacavelmente real. A pessoa que talvez pudesse nos ajudar teria que ser amável, compreensível, dedicada, experiente, sensível, paciente, inteligente, humilde. Alguém com estas qualidades e mais algumas talvez pudesse nos ajudar. Claro que se tivéssemos uma pessoa assim no nosso circulo de relacionamentos poderíamos, ao menos, desabafar.
Para ser sincero não há alguém assim na face da terra, pelo menos eu não encontrei ninguém quando atravessei o vale da dor e desespero. Nesses momentos é necessário olhar para cima. Olhar para Aquele que nos criou e conhece nosso ser de forma profunda. Nossa alma está fundada na dimensão espiritual. Não se pode encontrar contentamento duradouro a não ser na dimensão de origem da alma. A dimensão física é palpável e a dimensão espiritual é sensorial, mas, na verdade, a espiritual é mais real do que a física por duas razões: Em primeiro lugar a dimensão espiritual é que origina a física e não o contrário. Em segundo lugar a dimensão física é passageira, temporal, mas a dimensão espiritual é eterna.
Houve uma pessoa que fez mediação entre estas duas dimensões. Veio da dimensão espiritual e viveu na dimensão física por três décadas. “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (João 1:14)
Esta pessoa vivenciando as lutas e problemas da dimensão física, mas sem perder a consciência da dimensão espiritual, de onde veio, concluiu com maestria sua missão. Sofreu muito, testificou todas as dores humanas e enfrentou o mal até o fim. Morreu como um homem qualquer, concluindo assim sua experiência humana.
Quem foi esta pessoa? A resposta a esta pergunta é a chave para a nossa vitória. Veio do espiritual, viveu no físico, mas não deixou o espiritual para segundo plano. Quem teria tamanha força? Quem sofreria tanto, seria tão humilhado, massacrado pelos homens e permaneceria doce, amável a ponto de orar por seus algozes? Somente um: O próprio Filho de Deus. Morreu no físico, mas ressuscitou ao terceiro dia, provando que a dimensão espiritual sobrepuja a física.
Isso muda tudo. Há uma esperança! Há uma saída. Não estamos sós. Há alguém que se importa. Há alguém que nos ama muito. “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.” (Hebreus 4:15) “Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.” (Isaias 53:3) “E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão.” (Lucas 22:44)
Sim, alguém se importa. Jesus nos conduzirá à vitória. Não seremos destruídos. Alguém assiste o nosso pranto secreto e deseja consolar-nos. Ele deu todas as provas de que a dimensão espiritual é mais forte que a física. Seu amor é imensurável. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16). Deus tem os seus instrumentos, sejam recursos físicos, recursos espirituais ou mesmo pessoas, que Ele poderá usar em nosso benefício. No entanto é necessário não perder de vista o foco de que em Deus está a solução. Ele nos criou. Conhece o mais profundo dos reconditos de nosso ser. Para nossa dor mais profunda somente Jesus tem o balsamo curador. Sua intenção é sempre a melhor. Se Deus não puder nos ajudar, ninguém mais o poderá. Mas Ele pode e vai sempre nos ajudar. Levantemos os olhos para Aquele que veio dos céus por nos amar. Aqui desceu para que pudessemos desfrutar de sua paz profunda e duradoura.
“Levantarei os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro.O meu socorro vem do SENHOR que fez o céu e a terra.” (Salmos 121:1,2)
“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (João 14:27).

Olhemos para o alto. Olhemos para Jesus!

Daril Simões

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2 thoughts on “Auxílio do alto

  1. Daril, sou grato a Deus pela sua vida. Suas mensagens tem sido edificantes e veem sempre na hora certa.Que o Deus Todo Poderoso continue te abençoando e usando-o muitíssimo.Um abraço.

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