A mente e a alma da cidade

Avenida Paulista

“Tu, cheia de clamores, cidade turbulenta, cidade alegre, os teus mortos não foram mortos à espada, nem morreram na guerra.” (Isaías 22:2)

Dizem que a cidade de São Paulo nunca dorme. Na verdade ela dorme, mas pouco. Colocada entre as cinco maiores cidades do mundo em número de habitantes, São Paulo não se dá ao luxo de dormir muito. Seus habitantes têm muito a fazer e, às vezes, 24 horas é pouco para tantas tarefas. São Paulo tem uma mente dinâmica e prática. Ainda de madrugada seus filhos, naturais ou “adotivos”, acordam e partem em busca de seus objetivos.

Por vezes a exaustiva rotina não permite que se avalie para onde se está indo. É tudo muito rápido. Madrugada, manhã, tarde, noite! Madrugada, manhã, tarde, noite! Parece uma roda solta em uma ladeira sem fim. Quando e onde vai parar ninguém sabe. A única coisa que se sabe é que não pode parar agora. Não hoje! Nesta correria não há tempo para se notar em ninguém. Todos são anônimos: Operários, domésticas e estudantes. Profissionais liberais, estagiários e empresários. Donos de emissoras, banqueiros e políticos. Mendigos, viciados e prostitutas. Donas de casa, enfermeiras e diaristas. Médicos, pedreiros e faxineiras. Traficantes, assaltantes e policiais. Atores, modelos e bombeiros. Este amontoado de pessoas se cruza no congestionamento das avenidas e no emaranhado das ruas.

São muitos níveis sociais. Histórias diferentes, destinos nem tanto. Na mente da cidade uma preocupação constante pode ser resumida em uma só palavra: “Mais”. Esta preocupação norteia o dia a dia da multidão. Mais moedas no chapéu do mendigo, mais clientes no consultório do médico, mais sucesso para a modelo, mais crack para o viciado, mais viciados para o traficante, mais salário para o bombeiro, Mais feijão para a dona de casa, mais popularidade para o político. Mais, mais e mais. A roda continua rapidamente ladeira abaixo. O hoje precisa superar o ontem e o amanhã precisa ser melhor que o hoje. A cidade não se lembra de seus filhos. Nem dos pobres nem dos ricos. Por quê? Porque isso é a cidade e esta é a sua mente!

Mas e a alma da cidade? Onde e como ela está? Com tanta correria teria a cidade se esquecido de sua alma? Levanta-se de madrugada, vai dormir tão tarde e mesmo assim não lhe sobra tempo para cuidar da alma? O sucesso e o progresso material não podem alimentar a alma! O “rei da cidade” sonha em ser o “rei do Estado” para depois ser o “rei do país”. Outros sonhos ambiciosos, talvez em menor escala, povoam todas as outras classes sociais. Mas e a alma? Onde ela se encaixa nestes planos? Todo plano que não leva em consideração a saúde e o destino da alma é um plano idiota, louco. Aliás, muitos pensam que o fato de se  ter muito, de se ter mais e mais trará paz e segurança à alma. Quem pensa assim  nada sabe sobre a alma. Estão totalmente iludidos. Jesus ilustrou esta verdade, contando sobre um rico fazendeiro que planejou ampliar seus celeiros e os encher totalmente com a abundante produção de suas terras para, então, dar descanso e prazer à sua alma. Como resultado da grande estupidez deste homem, Deus lhe declarou: “… Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lucas 12:20).

Homens inteligentes, ricos ou pobres. Afamados políticos. Doutores da ciência e da filosofia. Mestres do saber e do poder. Ou apenas sonhadores. Qual é o limite para vocês? O Premio Nobel? A presidência do país? O topo do mundo? Como pensam pequeno! Como estão enganados! E a alma como ficará? Jesus afirmou sobre a supremacia da alma diante das coisas materiais: “Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma? Ou, que daria o homem pelo resgate da sua alma?” (Marcos 8:36,37)

Sim, a cidade tem uma alma. Uma alma que precisa viver. A correria do dia a dia somente distrai a cidade para que não dê atenção ao clamor de sua alma. A alma está em agonia. Pede socorro, mas a cidade não quer ouví-la. E a roda continua descendo ladeira abaixo. A alma geme sem forças: “Preciso de Deus, preciso de Deus!”

O coração se corrompeu, a mente anda sobrecarregada e distraída, mas a alma não pode viver sem Deus, pois o mandamento diz “… Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, e com toda a tua mente.” (Mateus 22:37).

O dia inicia, o dia termina. A roda não pode parar. O fim da ladeira está mais próximo e a alma, talvez em seu último esforço, agora grita: “Preciso de Deus, preciso de Deus!”

Por Daril Simões

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