Deus é Justo? Uma questão legal.

 Às vezes parece difícil conciliar o conceito popular de um Deus justo com as situações de injustiça explícita no mundo em que vivemos. Quem ainda não conheceu uma pessoa muito boa que sofreu demais na vida? Quem não sabe daquele sujeito, ”gente finíssima”, que sempre fez tudo direitinho e mesmo assim nunca obteve grandes vitórias? Quantas famílias honestas em extrema pobreza com suas crianças passando fome severa?

Por outro lado, há milionários e poderosos, muitas vezes, impiedosos e prepotentes, cujas vidas vão às mil maravilhas! E aquele político corrupto tão conhecido? Dono de um império e com milhões de dólares em paraísos fiscais: O sujeito se perpetua no poder e a “justiça” não o derruba! Não é preciso ir mais longe. Todos os dias os jornais e a TV noticiam inúmeros atos de injustiça. Os injustiçados são tantos que sua individualidade, sua história, seus sonhos são reduzidos a apenas um número nas estatísticas.

Como entender o paradoxo do sofrimento humano diante da Justiça Divina? Onde fica o conceito de um Deus amoroso e justo diante de tanta injustiça? Estas coisas todas parecem gritar em nossos ouvidos que não há Deus. Pelo menos não um Deus Justo.

Certamente a questão não é fácil. Se não tivermos nenhum conhecimento da vida espiritual, se não recebermos ao menos um raio da luz divina, estaremos fadados a ocupar o lugar comum do incrédulo.

Ocorre que as coisas são muito diferentes do que imagina o senso comum. Há sim um Deus justo e amoroso. Não há contradição nesta afirmação. Tudo pode ser entendido se considerarmos que há uma violenta guerra espiritual sendo travada em uma dimensão paralela à nossa. Esta guerra tem características, digamos assim, “bélicas”, “diplomáticas” e “legais” e, para o homem, se iniciou nos primórdios da civilização.

Um paraíso no berço da civilização.

O ser humano foi criado para ser o administrador deste planeta. Tinha condições para isso, pois lhe foram dadas por Deus. Havia no princípio uma plenitude espiritual sobre o ser humano e tudo estava em perfeita harmonia. Físico e espiritual não entravam em conflito. O homem era um ser completo. Podia entender e ver as coisas espirituais, aliás, para ele espiritual e físico estavam intrinsecamente ligados. Não precisava de fé. Tudo estava às mãos. Tinha acesso ao seu Criador. Desfrutava da felicidade plena. Havia no homem e na mulher condições para administrar este planeta e povoá-lo sem nenhum problema. As condições climáticas eram perfeitas. O solo era fértil. Não havia pragas. A natureza estava em perfeita comunhão com o homem. O intelecto do primeiro homem era incalculavelmente superior ao do maior gênio de nossa era. Não se conhecia a ansiedade e muito menos o medo. Não havia doenças e a morte era ausente.

O Mal estava, em relação ao Homem, “enjaulado” em uma dimensão desconhecida. Não poderia sair de sua prisão se não fosse através de um ato deliberado do ser humano. Por outro lado, o homem, para ser livre, não poderia ser um autômato. Fora criado com vontade própria: O livre-arbítrio não poderia faltar.

A natureza em desequilíbrio.

As coisas de Deus são assim: Deus concede conhecimento e recursos plenos para um caminhar vitorioso. Em seguir suas instruções está a vitória. O primeiro casal não seguiu suas instruções. Adão e Eva, ao invés de darem ouvidos a Deus, ouviram o estranho. Caíram em uma cilada porque deram ouvidos a um intruso. Só precisavam obedecer as instruções de Deus. Não o fizeram e o Mal saiu de sua prisão cósmica.

Perderam a preciosa plenitude da comunhão com Deus. Perderam o domínio natural da natureza. Perderam a unidade com o cosmos. Perderam a paz. Ganharam o conhecimento de outra dimensão. Uma dimensão inferior na qual tudo lhes pertubava. Ganharam o medo. Ganharam a ansiedade. Ganharam a discórdia. Ganharam a dor. Ganharam a morte.

Foi assim que o Mal teve acesso legal a tudo que estava sob o domínio do Homem. Satanás com os seus milhões de “servidores” passaram a dominar e escravizar os homens durante os séculos.

Lembre-se que o homem foi colocado aqui por Deus para administrar este planeta. Tudo o que ocorre aqui é de responsabilidade humana. Todas as criaturas de Deus têm livre-arbítrio. Deus jamais interfere um “milímetro” no livre-arbítrio de ninguém. Isto ocorre em todo o Universo. Neste universo e em todos os outros que, supostamente, existam.

Assim a morte e a dor, a ansiedade e o medo entraram na raça humana e se perpetuaram geneticamente, produzindo e ampliando a cada geração doenças físicas e emocionais, o ódio, a inveja, e a solidão. A família se desmantelou. O sexo se deturpou. O amor se extinguiu. A guerra prosperou.

Deus, por um momento, “lamentou” ter criado o Homem e cogitou destruir a raça humana.  Seu amor e paciência, no entanto, desviaram Sua ira. Deus não poderia interferir na raça humana a não ser que fosse através de alguém da linhagem de Adão. Mas não havia um justo sequer e Deus é Espírito! Há um abismo entre Deus e a dimensão na qual o Homem estava agora imergido. O Homem abriu as portas para o Mal e, legalmente, somente o Homem poderia fechá-la.

Um plano perfeito.

Quando não havia mais nenhuma esperança para a raça humana, Deus traz à luz  o mais incrível e perfeito plano jamais visto em toda a eternidade. A solução para o insolúvel. Um “checkmate” nas forças do Mal. Uma Saída Perfeita para a restauração do Homem sem ferir as leis divinas e nem o livre-arbítrio do Homem: Descendo da mais alta e gloriosa posição espiritual, fazendo o máximo contraste ao ódio do Reino das Trevas e à desesperança humana, o Filho de Deus aceita se  introduzir na raça humana e lutar, com o mais ardente amor jamais visto pelo Homem, para resgatá-lo e reunir novamente em Deus todas as coisas que se perderam com a sua queda.

As regras legais.

Há de ser que o Resgatador deverá ser filho de Adão e viver sob as mesmas condições em que o Homem vive. No entanto não poderá ser alguém que tenha perdido a posse da dimensão Divina como Adão perdeu. Passará pelas mesmas dores e aflições, inclusive a morte. No entanto não deverá abandonar a comunhão com Deus, o Pai em momento algum. Deverá cumprir toda a Lei, que didaticamente indica a incapacidade humana e a superioridade do padrão moral de Deus, e manter a comunhão como Adão deveria ter mantido.

Como a raça humana, na pessoa de Adão, seu representante legal, entregou o domínio de seu Mundo ao Mal por livre e espontânea vontade, caberá somente ao Deus-Homem, como Preposto e Procurador da raça humana a condição de resgatar o domínio de todas as coisas e o Homem caído. Será que, se o Deus-Homem, como bastante procurador da raça humana, vencer, caberá a cada indivíduo da citada raça optar livremente por aceitar sua “procuração” e receber os benefícios da restauração por Ele conquistada ou rejeitar sua “procuração” e permanecer sob a dimensão e as condições anteriores.

Observação: Embora Adão, mesmo vivendo sem as dores e limitações da humanidade, caiu. O Deus-Homem deverá experimentar todas as dores da humanidade e não ceder ao Mal.

A execução do plano.

  “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (Galatas 4:4,5)

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (João 1:14)

“Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” ( Isaías 53: 4,5)

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.“ (Romanos 3: 23-26)

Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra.“ (Efesios 1:9,10)

Com esta luz, concluímos que não há nenhuma injustiça em Deus. Ele, mesmo sem interferir no livre-arbítrio do Homem, graciosamente tem socorrido a humanidade, demonstrando o mais alto e sublime amor. Sempre esteve vigiando, buscando brechas para atuar mais e mais no benefício de sua criatura. No entanto as escolhas da raça humana têm feito com que ela se distancie cada vez mais do padrão divino e traga sobre si mesma e sobre o planeta Terra as consequências de seus atos.

O nosso “Procurador” venceu e esta vitória é extensiva a todo aquele que crê. Você quer participar desta vitória? Então faça de Jesus também o teu “Procurador” e deixe-o administrar tua vida.

“Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1Cor, 15:22)

Daril Simões

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