A cola da morte

Supercola

O capítulo 12 de Hebreus tem início com uma saudável e oportuna instrução: “Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta” (Heb. 12:1).
O texto nos instrui, em primeiro lugar, a usarmos os exemplos fornecidos pelo capítulo 11 como um contraste para melhorarmos nossas próprias vidas. Um contraste nos ajuda a enxergar bem o que, sem ele, poderia passar despercebido. Os testemunhos que o autor de Hebreus nos dá no capítulo 11 são de heróis da fé, verdadeiros mártires. Homens de tal envergadura espiritual que “o mundo não era digno deles” (Heb. 11: 38). Estas pessoas sofreram todo tipo de escárnio, humilhação, violência e privação de seus direitos e ainda assim guardaram a fé e o testemunho. São todas testemunhas da vida digna e nobre que devemos ter se professamos crer em Deus.
Mas como nos livrar do pecado que nos envolve, em muitos casos, tenazmente?
Você já derramou cola instantânea sobre as mãos ou roupa? Prá remover é muito trabalhoso. E quanto mais você mexe, mais se suja e fica grudado. Esta é a idéia. Assim é o pecado. O pecado tem a característica de se apegar a nós de forma fortíssima.
Como livrar-nos de ações e sentimentos pecaminosos que estão tão entranhados em nosso viver cotidiano? Como abandonar o que nos dá prazer?
O texto além de nos mostrar a grande importância e a gravidade de se ter uma vida digna, nos aponta a solução para obtê-la: “…tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus.” (Heb.12:2).
Não se pode andar simultaneamente por dois caminhos. O próprio Jesus suportou a cruz e toda afronta e venceu todos os obstáculos. Ele é o autor de nossa fé. Olhando firmemente para ele devemos seguir em frente e nos desvencilhar do pecado.
Certamente não será com medidas paliativas que iremos nos livrar do pecado. Isso é como o soldado que vai para a guerra. Ele sabe que se não se cuidar vai ser alvejado. Não se trata de uma situação confortável na qual possa relaxar. É necessário ter em mente sempre que está em guerra. Deverá ser prudente, sábio, esperto, atento. Deve perceber antecipadamente as táticas de seu inimigo. Deve exercitar seu próprio corpo diariamente para a batalha para que não seja tomado pela morbidez e preguiça. Guerra não é sombra e água fresca. Guerra requer árdua disciplina e mente lúcida.
Jesus falou alguma coisa a respeito de como livrar-se do “grude” do pecado: “…Se a sua mão ou o seu pé o fizerem tropeçar, corte-os e jogue-os fora. É melhor entrar na vida mutilado ou aleijado do que, tendo as duas mãos ou os dois pés, ser lançado no fogo eterno. E se o seu olho o fizer tropeçar, arranque-o e jogue-o fora. É melhor entrar na vida com um só olho do que, tendo os dois olhos, ser lançado no fogo do inferno”. (Mat. 18:8,9). Aqui Jesus usa uma figura de linguagem. O que pode ser mais precioso para você do que teu próprio olho? Que valor você daria para tua própria mão? Já pensou em perder um dos pés? Pois o pecado pode ser muito mais íntimo e precioso para alguns do que a própria mão, pé ou mesmo do que o próprio olho! Jesus está dizendo que a situação não pode ser tratada paliativamente. Contra o pecado são necessárias medidas cirúrgicas. Não brinque com o pecado, arranque-o de você a todo custo. O pecado sempre traz conseqüências maléficas além de criar dependências. O apóstolo Paulo diz que “o salário do pecado é a morte” (Rom.6:23). A morte tem muitas facetas. Apresenta-se de várias formas e tem vários codinomes, mas sempre continua sendo morte. A morte pode vir diluída ou concentrada, de imediato ou á prazo, mas o pecado sempre conduz à ela. Nada de bom vem do pecado. O pecado é prejuízo sempre.
Paulo chama este processo de deixar o pecado a qualquer custo de transformação da mente (metanóia): “Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:1-2).
A vida cristã não é para ser levada de qualquer jeito. Deve ser levada com mesma responsabilidade e dignidade dos homens e mulheres citados em Hebreus 11. Sóbrios, verdadeiros, honestos, corajosos, nobres e dignos tanto quanto é a mensagem do cristianismo.
No último livro da Bíblia lemos a fórmula da vitória dos vencedores: “Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do testemunho que deram; diante da morte, não amaram a própria vida.” (Apo.12:11).
D.S.

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