Pecados e demônios

Sem direcionar o assunto para a origem do pecado ou para outros desdobramentos teológicos que possivelmente pipocarão na mente de quem estiver lendo este post, vou manter o foco na relação pecados-demônios. Quem sabe em outro momento possamos ir mais além!

Muitas pessoas, inclusive do meio cristão, imaginam que pelo fato de não “manifestarem exteriormente” uma possessão demoníaca, não sofrem influência dos demônios. Acreditam que se a pessoa não perder a consciência e o controle dos sentidos físicos os demônios não tem controle sobre seus atos! Ledo engano! Ocorre que o reino das trevas é muito mais sutil e “inteligente” do que imaginam as pessoas. Existe um relacionamento íntimo entre os pecados e os demônios. Os pecados concedem uma situação favorável para a atuação dos demônios na vida das pessoas. Se uma condição pecaminosa é prolongada ou repetida sistematicamente, ela gradativamente vai “configurando” um ambiente favorável aos demônios.

Desta forma, o que em um primeiro momento poderia ser chamado de “pecado acidental”, se continuar a se repetir, vai contribuindo, gradativamente, para que o seu praticante se torne casa de um ou mais demônios. O problema de entendimento das pessoas com relação a possessão está na falsa ideia de que o possesso perde totalmente os sentidos ou o controle físico de seu corpo. Aliás, quando isso ocorre o único prejuízo a mais é que as pessoas ao redor descobrem que o indivíduo está possuído pelo demônio. A verdade é que milhões de pessoas ao redor do mundo que nunca manifestaram e nunca manifestarão fisicamente a presença de demônios estão terrivelmente possessas. Isso porque o controle físico é o menor dos males que uma possessão pode causar.

Há quem diga que os demônios que subjugam o corpo físico de uma pessoa são os mais inofensivos do inferno. Muito pior, muito mais danoso, é o controle da mente e das emoções!

Os demônios agem na mente (raciocínio) e, principalmente, nas emoções do ser humano. Em um primeiro momento qualquer incidente pode conduzir ao pecado, mas o tempo e o cultivo da situação pecaminosa fazem as emoções e o padrão de raciocínio se amoldarem ao pecado, configurando na pessoa um ambiente propício aos demônios. Desta forma, atitudes e emoções podem dizer se alguém está ou não possuído pelo Diabo, ou pelo menos podem fazer suspeitar seriamente da possessão já existente ou a caminho.

A Bíblia nos declara que o teor do pensamento pode nos dizer se alguém está possuído pelo Diabo. Por exemplo: “mas todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo…” (1 João 4:3). Aqui a conclusão é obvia. Os espíritos não se materializam para falar, eles usam a boca das pessoas de carne e osso. Logo, estas pessoas estão possuídas pelo demônio. Por uma declaração de Pedro, Jesus identificou que o demônio estava usando sua boca: “Jesus virou-se e disse a Pedro: ‘Para trás de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, e não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens’” (Mateus 16:23).

Outro grande engano é o entendimento comum de que se o pecado for algo “muito grave” então a pessoa está endemoninhada, por exemplo, um assassino certamente está nas mãos do Diabo, mas se o pecado é mais “suave” então o Diabo não tem nada a ver com isso. Este entendimento contraria totalmente as declarações bíblicas sobre o pecado e sua gravidade. O apóstolo João declarou: “Quem odeia seu irmão é assassino…” (1 João 3:15). João faz a equiparação de uma emoção, o ódio, com a posição espiritual e judicial totalmente condenatória de um homicida. Portanto um simples sentimento pode indicar que sua vida espiritual está nas mãos do Diabo. Pecados sejam quais forem, se habituais, abrem caminho para os demônios, que vão construindo sua possessão e ficando cada vez mais confortáveis e cada vez mais fixos na vida de quem insiste no pecado até ao ponto de dominar totalmente esta pessoa. O próprio João tem esta conclusão: “Aquele que pratica o pecado é do diabo, porque o diabo vem pecando desde o princípio. Para isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do diabo.” (1 João 3:8).

Muitas pessoas, influenciadas pela Palavra de Deus ou libertas pela intercessão de um cristão, deixam a prática de um determinado pecado, mas ao se afastarem do convívio de cristãos genuínos não conseguem resistir à força do pecado e voltam à sua prática. Isso ocorre porque duas razões: 1) Suas mentes e suas emoções se amoldaram ao pecado e isso configurou nelas uma condição favorável aos demônios; 2) Não entregaram totalmente suas vidas à Deus. Estas pessoas precisam ter redobrado cuidado da vida espiritual. Precisam fazer mais firme sua vocação com Deus, pois do contrário o retorno dos demônios é certo. Jesus explicou isso da seguinte maneira: “Quando um espírito imundo sai de um homem, passa por lugares áridos procurando descanso, e não o encontrando, diz: ‘Voltarei para a casa de onde saí’. Quando chega, encontra a casa varrida e em ordem. Então vai e traz outros sete espíritos piores do que ele, e entrando passam a viver ali. E o estado final daquele homem torna-se pior do que o primeiro”. (Lucas 11:24-26) Por esta razão Jesus ao libertar certo homem o advertiu a não retornar à prática do pecado: “Mais tarde Jesus o encontrou no templo e lhe disse: ‘Olhe, você está curado. Não volte a pecar, para que algo pior não lhe aconteça’” (João 5:14)

Infelizmente, em grande parte das vezes, a ênfase na prática do pecado no meio religioso segue o engano. As “armas” são apontadas para alvos errados e desta forma o pecado continua reinando entre as pessoas livremente. Como Jesus afirmou acerca dos fariseus, dizendo: “Guias cegos! Vocês coam um mosquito e engolem um camelo. Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês limpam o exterior do copo e do prato, mas por dentro eles estão cheios de ganância e cobiça.” (Mateus 23:24-25). Jesus está falando que a ênfase não deve estar nas exterioridades, mas sim nas “interioridades”.

Precisamos estar atentos às nossas emoções e ao teor de nossos pensamentos. Os escritos paulinos concordam totalmente com isso. Paulo exortou as igrejas de seus dias a cultivarem emoções saudáveis e pensamentos santos e a evitarem os pensamentos e emoções pecaminosos para estarem livres do Diabo. Vemos isso em inúmeras passagens, cito aqui apenas algumas: “E digo isto, e testifico no Senhor, para que não andeis mais como andam também os outros gentios, na vaidade da sua mente. Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração;” (Efésios 4:17-18); “E vos renoveis no espírito da vossa mente;” (Efésios 4:23); “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2); “Alegrem-se sempre.” (1 Tessalonicenses 5:16); “Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se!” (Filipenses 4:4); “Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas.” (Filipenses 4:8);

“Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira; nem deis lugar ao Diabo.” (Efésios 4:26-27)

D.S.

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