Sensualidade a serviço da vida

”E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom…” (Gênesis 1:31).

Este é um tema fascinante, mas a presente reflexão está muito longe de esgotar o assunto. Muito há ainda para se pesquisar e para se escrever sobre o mesmo. Desta forma vários desdobramentos podem se desprender deste esboço. Deixo, contudo, minha humilde contribuição, sugerindo que meus leitores pesquisem mais minuciosamente o assunto e comprovem para sua total segurança  que este é o caminho da verdade. Cabe salientar que este texto não tem o objetivo de fazer críticas a quem quer que seja, mas sim apresentar um ponto de vista criacionista e bíblico de como eram as coisas no princípio.

Não podemos saber o quanto os múltiplos processos da natureza eram superiores em beleza, harmonia e funcionamento no início da civilização humana. Não temos parâmetros para fazer tal avaliação, contudo podemos ter certeza de que eram muito superiores ao que vemos hoje. Afirmamos isso pela Bíblia, mas também pela observação: Não é difícil perceber que algumas coisas não funcionam tão bem na natureza como deveriam, por exemplo, os animais carnívoros se devoram de forma que, para que um indivíduo se mantenha vivo é necessária a morte de outro indivíduo. No princípio não era assim. Nós lemos no primeiro capítulo da Bíblia: “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom…” (Gênesis 1:31). Acredito que o muito bom de Deus deva ser muito superior ao nosso senso comum de  “muito bom”. Para Deus considerar algo muito bom deveria ser algo, no mínimo, igual ao nosso conceito de perfeito.

Tudo o que Deus fez no princípio tinha uma obrigação, uma utilidade e um benefício próprio. Cumpridos os quesitos obrigação e utilidade era gerado o benefício próprio e, por conseguinte o contentamento, a plenitude, a comunhão com a natureza como um todo. Todavia, em todas as fases deste processo havia uma sincronia perfeita. Toda a natureza com seus múltiplos ecos-sistema interagiam em pró da vida e do bem-estar. A vida deveria continuar indefinidamente! Havia uma interdependência. Uma simbiose perfeita. Uma camaradagem espontânea e servil por devoção à vida e ao Criador. Muitas coisas ficaram como testemunhas da perfeição na grande obra de Deus.  As flores com seu colorido e seu perfume, por exemplo, atraem as abelhas que se alimentam de seu néctar. Mas elas precisam das abelhas para espalhar seu pólen e assim perpetuar a espécie. Sua obrigação está diretamente ligada ao seu benefício. De quebra as flores cumprem em um âmbito maior do plano de Deus, embelezar e perfumar o mundo dos homens. Também as abelhas, após coletar o néctar das flores, produzem o mel do qual também o homem se alimenta. Na natureza o homem e a mulher foram a coroa da criação, o ponto alto da obra perfeita de Deus. Tudo girava em torno do homem e o homem entregava a Deus devoção e gratidão.

Podemos crer que tudo na natureza criada por Deus seguia um padrão de utilidade, obrigação e prazer de viver ou felicidade (que é o contentamento por cumprir aquilo para o que foi criado, ter uma utilidade, ser uma “peça útil” dentro da grande “máquina” da mãe natureza). Havia uma lei perfeita de interação e obediência.

Esta simbiose, este inter-relacionamento entre os múltiplos sistemas provavelmente era muito diferente do que é hoje. Certamente as coisas não são mais perfeitas como eram quando Deus tudo criou, pois a desobediência do ser humano destruiu o perfeito equilíbrio entre sua natureza física e a dimensão espiritual e, cabe salientar, a cada dia mais os transtorna. Todavia não podemos quantificar o nível total de mudanças ocorridas e nem avaliar como era a vida no início da criação. Também não podemos acreditar nas “estórias da Carochinha” contadas pelos evolucionistas. Eles, como se tivessem uma bola de cristal, produzem lindos filmes, afirmando em mínimos detalhes o que supostamente acontecia a milhões de anos atrás. Nesse ponto de nossa reflexão é bom lembrar que a raça humana está sobre este planeta há alguns milhares de anos e não há milhões como insistem os “donos da verdade”.

Mudanças radicais ocorreram na natureza com a queda espiritual do homem. Lemos, por exemplo, que ao ser humano fora ordenado, no princípio, comer apenas frutas e leguminosas. E aos animais foi dado que se alimentassem de toda erva verde: “E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi.” (Gênesis 1:29-30). Deduzimos deste texto que os animais não se devoravam, pois não eram carnívoros. O clima era também muito diferente do atual. Era perfeito. O dilúvio, que ocorreu como juízo pela perversão da raça humana, provavelmente, causou um cataclismo global, alterando drasticamente as condições climáticas de todo o globo. Alguns estudiosos citam que o eixo da terra teve um considerável deslocamento. Antes os movimentos de rotação e translação eram de uma precisão tal que não havia grandes diferenças de temperatura entre pontos diferentes do planeta, como ocorre hoje, pois tinham a mesma incidência dos raios solares. Todas as alterações sofridas foram fruto do pecado.

As coisas mudaram, mas os princípios permanecem, pois são eternos. Considerada esta introdução, quero voltar ao tema “Sensualidade a serviço da vida”. Por incrível que possa parecer aos nascidos nos séculos XX e XXI, no princípio Deus criou um homem e uma mulher: “E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” (Gênesis 1:27). Macho e fêmea se completavam de forma perfeita. Como tudo na natureza, a existência do homem e da mulher estavam condicionados ao princípio da obrigação, utilidade e prazer. O ser humano foi criado para a glória de Deus. Deveria lhe obedecer em tudo e o seu mundo permaneceria em perfeita harmonia. Deus criou um casal e lhes ordenou: “… Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.” (Gênesis 1:28). Isso não era nada pesado ao primeiro casal. Viviam em um paraíso. Aliás, o único paraíso verdadeiro que existiu neste planeta desde que o homem foi criado. Paraíso é um lugar onde as condições de vida e de bem estar são perfeitas.

Entendo que a sensualidade fazia parte deste “mundo perfeito”. Provavelmente não da forma que faz hoje, pois os corpos do primeiro casal sofreram alterações significativas em sua funcionalidade. Todavia a Bíblia e a razão desmentem aqueles que afirmam que o sexo só passou a existir depois que comeram o “fruto proibido”. Não há nada mais ridículo do que se pensar que o casal criado para estarem juntos não conhecia o sexo. Adão observou a natureza e viu as espécies em duplas. Os casais estavam lá, mas para Adão não havia uma companheira. “Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome. E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea.”(Gênesis 2:19-20).

Deus então, usando material genético de Adão, criou a mulher: “Então o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam.” (Gênesis 2:21-25)

Sem a menor sombra de dúvida, Adão e Eva mantinham relações sexuais antes da queda. Talvez isso ocorresse já há muitos anos antes da queda. Não havia culpa, não havia transtornos. Só harmonia, só paz, só felicidade!

Hoje o desejo, a sensação, a atração física muitas vezes ocorrem dissociados de uma compreensão maior de tudo o que está envolvido na situação. No princípio não era assim! Provavelmente a sensualidade era associada a uma compreensão plena de todo o processo que gera a vida. A alegria era completa e extrapolava os sentidos físicos, mas não havia descontroles. O primeiro casal não tinha ídolos e nem vícios. O seu relacionamento era baseado no amor verdadeiro e sua sensualidade era algo inteiramente natural, consciente e responsável. O ser humano fora criado à semelhança de Deus e por esta razão o princípio ativo de sua vida era predominantemente espiritual.

Tudo estava no seu lugar. Respirar era maravilhoso. Havia plena paz e uma sensação maravilhosa de felicidade. O tempo passava sem que se percebesse. Havia comunhão, havia gratidão, havia correspondência de toda a natureza. Com a queda do primeiro casal cessou imediatamente a paz e a tranquilidade na terra. Aquela atmosfera de interação e colaboração foi se degradando dia a dia. As mudanças ocorreram em todo o planeta, pois toda a natureza estava submissa ao homem. Isso é parecido com a destruição de uma coluna que sustenta o alicerce de um grande prédio. Todos os andares do prédio entram em desequilíbrio e podem cair porque se sustentavam na coluna destruída.

Com relação à sexualidade do primeiro casal, as coisas também mudaram. Não sabemos como era a mecânica da sensualidade antes da queda, mas sabemos que mudou, pois lemos em Gênesis: “E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.” (Gênesis 3:16) Também vemos neste texto que Eva não estava sujeita a dor no parto, mas passou a tê-la após a introdução do pecado.

Todas as coisas se degradaram e continuam se degradando. Antes da queda, tudo era participativo, coerente e considerava o benefício ao próximo. Após a queda surgiu o egoísmo, que “enferrujou” os relacionamentos e deturpou a sexualidade. A auto-estima foi destruída e a alma humana foi massacrada pelo pecado. O espaço sagrado reservado para Deus foi preenchido com manias, vícios, deturpações do corpo e da mente e ídolos de toda sorte. Logo veio o primeiro homicídio, fruto do ódio e da inveja. Os homens deixaram de respeitar suas mulheres e, considerando-as inferiores a si mesmos, passaram a vê-las como objetos sexuais. Com o passar dos séculos veio a guerra e com ela o estupro, a escravidão e a tortura. Hoje de todos os lados ouvimos notícias de abortos e perversões sexuais de várias e inomináveis formas como se fosse coisa normal. Frutos da desobediência. Frutos do egoísmo.

A raça humana perdeu sua posição diante de Deus e diante da natureza. Antes da queda toda a natureza “conspirava” em favor do primeiro casal. Hoje a natureza geme com a presença do homem sobre a terra. Desmatamentos indiscriminados, poluição desenfreada, indústrias químicas e farmacêuticas usando animais vivos como cobaias de seus experimentos. O apóstolo Paulo afirma: “… sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.” (Romanos 8:22) A casa do homem está sendo destruída por ele mesmo. Destrói o seu corpo e destrói a natureza.

O Espírito se extinguiu, a “Lâmpada Espiritual” se apagou e a humanidade mergulhou em densas trevas. Não há mais referências, ou melhor, não percebem mais as referências. Tudo agora é relativo e esta relatividade conduz à morte!

A sensualidade ou sexualidade humana foi corrompida. O que era a serviço da vida mais plena hoje é a serviço da luxúria e do egoísmo. O próximo não tem mais o primeiro lugar, mas o último lugar. Agora quem impera é o ego. O importante nesta era de homens e mulheres corrompidos é o prazer individual. Assim não há limites para se obter o que se quer e o que se deseja. Estupros, pedofilia, adultério e outros pecados sexuais advindos do egoísmo humano.

Não há mais solução? Sim, ainda há! A solução é voltar os olhos para Deus e buscar Suas referências. Apesar de a humanidade ter caído, Deus se importa conosco e nos enviou um meio de voltarmos ao paraíso: Jesus, seu Filho. Faz-se urgente uma análise sincera e honesta em nossas ações e motivações.

Por mais distante que alguém possa estar do paraíso e por mais indigno que seja, ao se voltar humildemente para Jesus, e lhe pedir ajuda, não será rejeitado e  receberá dele a promessa: “…  estarás comigo no Paraíso.” (Lucas 23:43-b).

As coisas não são mais perfeitas em nossa estrutura e na natureza como eram no início. Pode haver lutas e dificuldades, mas com fé e obediência podemos vencer e ter uma vida mais digna do paraíso. A própria natureza clama por isso.

Olhar com fé para Jesus é o início da volta ao paraíso!

Daril Simões

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8 thoughts on “Sensualidade a serviço da vida

  1. Ja disse tudo “As coisas não são mais perfeitas em nossa estrutura e na natureza como eram no início. Pode haver lutas e dificuldades, mas com fé e obediência podemos vencer e ter uma vida mais digna do paraíso. A própria natureza clama por isso”. Ótimo post Deus abençoe.

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  2. muito interessante o artigo, realmente uma visão sóbria e interessante sobre a sexualidade.
    apenas alguns pontos sobre as questões bíblicas abordadas:

    1) não creio que o surgimento dos animais carnívoros seja uma “falha” na perfeição, como disseste; ora, a morte é parte da vida, e chorá-la é uma invenção humana, e tipicamente dos homens que não crêem verdadeiramente em Deus e nosso Senhor Jesus, por acharmos que somos máquinas que simplesmente desligam com a morte. A vida acaba, mas a consciência continua; e a tristeza da morte é mais um ato de egoísmo humano, chorando o que pode ser uma verdadeira alegria de libertação, por não mais poder ver o falecido aqui nesta Terra… acho que a natureza continua perfeita, e se Deus a visse, ainda acharia boa, mesmo na mais selvagem savana!!

    2) o dilúvio não assolou toda a Terra, mas sim (GRANDE) parte dela; e Noé apenas nescessitou de construir a barca pois aquiesceu diante dos avisos tanto da natureza quanto dos sumerianos próximos, por sua estupidez e teimosia. Então, fez a arca; que, logo no início, já não tinha mais pássaros, que voaram, além de ter levado muita bebida e molestado as suas noras durante o dilúvio. isso, não conforme os historiadores, mas conforme Roseli von Sass no Livro do Juízo Final, editora Ordem do Graal na Terra. comprovada ou não (não que isso me interesse), a história por ela contada é muito mais crível.

    mas mesmo com as diferenças, excelente trabalho! parabéns!

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    • Obrigado pelo comentário Caio. Com relação ao dilúvio realmente há duas teorias teológicas a respeito do mesmo. Uma diz que foi universal (abrangeu todo o planeta Terra). Outra diz que foi parcial. Há adeptos entre os cristãos para as duas teorias. Eu, particularmente, acho mais razoável a primeira. As principais razões que me levam a crer assim são:
      1. A própria Bíblia que diz toda a vida seria destruída (de sobre a face da terra), portanto universal:”E disse o SENHOR: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito. Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR. (Gênesis 6:7-8);
      2. A consciência universal dos inícios da civilização e de um grande dilúvio. Mesmo entre os povos mais distantes e que não conheceram a cultura judaico-cristã há relatos de um grande dilúvio. Sugiro a leitura do excelente livro “O Fator Melquisedeque” de Don Richardson, pela Editora Vida Nova, que, embora tenha um caráter missiológico, trata do assunto de forma comprovadamente científica.
      Com relação à ficar entre os livros de Roseli von Sass ou a Bíblia, é uma questão de analisar crítica e honestamente as fontes de cada um. Prefiro ficar com a Bíblia que tem o testemunho da história, da arqueologia, dos homens transformados e do Espírito Santo.
      Continue conosco. Escreva, pergunte, participe sempre. É um grande prazer ter conosco leitores esclarecidos.
      Um forte abraço

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      • Bom, no caso não se trata de qual livro escolher para seguir. Mas sim de como interpretar a Bíblia! Não consigo ver o dilúvio abrangendo a totalidade da Terra. Mesmo porque, àquela época, “toda a terra” abrangia apenas as áreas que o homem tinha conhecimento; sem nunca esquecer que a Bíblia nasceu dos relatos orais dos testemunhos históricos e arqueológicos. Digo orais, pois é de conhecimento comum que à época em que a Bíblia diz ter sido escrita, pouquissimos sabiam ler ou escrever.

        Por isso não fico com Bíblia, nem com Roseli. Fico com a sede pelo conhecimento e pela pesquisa. Acredito que o embate entre a ciência e a religião já acabou, pois com bom senso e boa vontade a simbiose entre estas duas áreas do conhecimento humano torna-se uma verdadeira fonte de luz e sabedoria!

        Grato pela indicação do livro, lerei agora os posts que perdi!

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